SPACER
|    
 
separador Home
 
separador Quem Somos
 
separador Crónicas
 
separador Reportagens e Entrevistas
 
separador Jornais Mwangole
 
separador Galerias de foto
 
separador Contactos
 
separador Links Úteis
 

 

spacer

No Vale da Amoreira
Com as cores da bandeira


Jovens angolanos de uma geração composta por muitos cidadãos sem documentos, sem ocupação e sem perspectivas futuras, vêem na iniciativa Bairros Críticos de Lisboa uma oportunidade para demonstrar os seus talentos e capacidades.


Fazem parte da população da Freguesia do Vale da Amoreira, no concelho do Barreiro, em Lisboa (Portugal). Esta localidade, tem sido alvo de programas visando a integração social, no âmbito das políticas para imigração é uma das abrangidas pelo actual programa do governo português que promete uma operação de requalificação urbana em várias zonas multiculturais de Portugal.
A construção e melhoramento de infra-estruturas, dos espaços públicos existentes, das acessibilidades ao território e a empregabilidade são objectivos do programa, visando salvar da criminalidade parte de uma segunda geração de angolanos residentes em Portugal. A iniciativa envolve associações criadas pelos moradores dos bairros suburbanos, entre elas a Associação Moitense dos Amigos de Angola (AMA).
Por meio de acções como esta uma geração que tem vivido à margem da sociedade - nas cadeias, nas esquinas dos bairros passando drogas e atormentada pelas perseguições da polícia – espera poder expor os seus problemas e aspirações.
Enquanto passeámos pelo Vale da Amoreira, freguesia rica pela sua diversidade cultural e onde as festas multiculturais se realizam periodicamente, um grupo de adolescentes chamou-nos a atenção ao facto de levarmos as mochilas abertas, algo que não era suposto acontecer numa zona que está entre os chamados bairros problemáticos de Lisboa.
Geminação com o Cazenga
A empregabilidade, através do Alto Comissariado para as Minorias Étnicas (ACIME), e a criação de um Gabinete com as valências de um Serviço de Estrangeiros e Fronteiras que permita aos angolanos ilegais proceder à sua legalização é uma das preocupações do Presidente da Associação Moitense dos Amigos de Angola, Feliciano Dias ou simplesmente Caiano. A legalização é um passo importante para que muitos destes angolanos deixem de ser explorados no trabalho.
Caiano é um angolano de uma família de 12 irmãos, nascido no Cazenga, gosta de usar roupas com as cores da bandeira de Angola e a sua comida típica preferida é o funge de catatos. Tem um sonho: Geminar o Cazenga com o Vale da Amoreira. «Sempre me assumi mais como angolano do que como português, posso perder muito com isso mas é assim que me sinto bem comigo mesmo», afirma.
A Associação Moitense dos Amigos de Angola nasceu nos cafés da Baixa da Banheira, dos encontros entre amigos, logo após a época colonial. A saudade da terra fez com que vários angolanos e seus descendentes criassem a agremiação, dirigida até 2006 pelo professor Joaquim Laureano, já de regresso à terra.
Laureano foi levado à presença de Feliciano Dias, famoso no Barreiro pelo seu apego a Angola, quando procurava um espaço para a associação. «Por ter a palavra Moitense, a associação poderia ficar em qualquer sítio do concelho do Barreiro», explica Caiano. Convidado a trabalhar como secretário, assumiu de imediato e teve que mostrar trabalho para conseguir o espaço sede da AMA que foi crescendo, depois de várias actividades organizadas a propósito dos aniversários da independência e outras datas comemorativas de Angola.
Ver para crer
Os jovens são a principal preocupação da Associação Moitense pois são parte considerável da população do Vale da Amoreira, no seio da qual se verificam as maiores taxas de evasão escolar, de jovens mães solteiras e desemprego. Mas existe também muita gente com grande vontade de trabalhar, capacitada e a quem não é dada uma oportunidade de mostrar o que sabe. Refere Caiano acrescentando, «há pessoas que têm vindo fazer diagnósticos, sem conhecer o bairro a fundo e são-lhes dados financiamentos».
Dirigentes associativos dos chamados bairros problemáticos, onde predomina o desordenamento, falta de segurança, saneamento básico e iluminação pública, queixam-se de que os programas aprovados, envolvendo milhões de euros para atingir objectivos que se prendem com a inclusão social, não têm levado em conta as particularidades e problemas reais das comunidades. A iniciativa Bairros Críticos está a dar corpo a um projecto de intervenção e desenvolvimento comunitário conjunto.
Caiano declara que só acredita depois de ver as coisas a funcionar. «Enquanto se mantiverem as ideias de que o africano «não vai lá» não iremos mesmo»,diz.
Os jovens são também o motivo que levou à construção de um Centro de Experimentação Artística no Vale da Amoreira. De acordo com Sérgio de Oliveira, chefe de projecto, o mesmo terá espaços para música, dança, educação física, e para trabalhos áudio-visuais, bem como salas para actuações e espectáculos diversos.
A Comissão Executiva do programa Bairros Críticos, no Vale da Amoreira, à semelhança do que se passa nos outros bairros incluídos na iniciativa, é composta por um representante da Câmara Municipal de Lisboa, pelo presidente da Junta de Freguesia, a PSP, pela Segurança Social, um representante (consórcio) das organizações não governamentais e mandatários das associações. »É um processo que tem que ser participativo, por isso, se torna um pouco mais lento, mas todos reconhecem ser uma grande mais valia a dinâmica do trabalho em rede», sublinha Sérgio de Oliveira.
O programa Bairros Críticos de Lisboa pretende ser um projecto global partilhado a nível local. Prevê intervenções estruturantes, assumidas pelo poder político numa visão - estratégica e transversal do social. Difere das acções do género já desencadeadas, por envolver os moradores, levando-os a desempenharem um papel fundamental e a participarem, também através das associações, nas transformações que se pretende operar.

prox

spacer






 
SPACER